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ITALIANO COM JEITINHO MINEIRO

Atualizado: 9 de fev. de 2021

A FIAT não arrebatou corações de primeira; mas soube, ao longo de décadas consolidar sua imagem.


Ela chegou no Brasil em 1976, com um carrinho muito bacaninha. O 147 era, em vários aspectos bem interessante. Tração dianteira; motor e câmbio transversais; bem econômico e com muito espaço interno (superior aos dos concorrentes Fusca e Chevette), para seu diminuto comprimento. Tinha uma estabilidade impressionante e o motor, bem esperto.

E o carro era valente e robusto, sim; mas aquele câmbio (uma loteria para engrenar a primeira) e a correia dentada (muito sensível à tradicional cultura de falta de manutenção do brasileiro) travavam o ímpeto do consumidor em desejá-lo.

Porém, a montadora de Turim foi melhorando o produto; com motores mais potentes e versões mais luxuosas. Ele vendia razoavelmente bem.

A primeira picape derivada de carro; o primeiro motor à álcool...já era a FIAT querendo agir rápido e diferente; uma caraterística que ficou bem marcante ao longo das décadas.

O primeiro grande salto da montadora no Brasil veio mesmo com o lançamento do Uno (ou “Tipo Uno”, como era conhecido o projeto), em 1984. Ainda com boa parte da mecânica (motor, câmbio e suspensão) do 147, era mais espaçoso em seus parcos 3,64 m (talvez o primeiro conceito de “minivan” no Brasil) e tinha uma dirigibilidade bem agradável.

Vieram os filhotes Prêmio, Elba e Fiorino; o câmbio foi melhorando (mas muito devagar) e a montadora passou a aparecer bem mais nas ruas.

O 2º e maior salto aconteceu na década de 90. O Mille (Um Uno peladão, com motor de 1000 cm3 ) chegou e estabeleceu um novo mercado: o de carros populares (com alíquota de IPI reduzida). Passariam-se muitos meses até a atônita concorrência acordar para competir neste novo e grande filão.

E a FIAT não ficava parada; o Mille ELX, lançado em 94 era um “popular de luxo” (novo nicho – uma classe em ascensão que não podia comprar carros de categorias superiores, mas queria conforto), com ar, vidros, travas, desembaçador traseiro e vendido pela Internet (atenção...isso em 1995 !!!!).

E o câmbio foi melhorando...

Foi ousada em lançar o Tempra (o “Tipo Tre”), para concorrer com os sólidos Monza e Santana. Tratava-se de um carro moderno e muito bacana; vendeu até que números bons, mas, pela sina da FIAT, sedans médios nunca foram a praia dela...

Lançava novidades ousadas, como os cabeçotes 16 V e motores Turbo para o Uno e Tempra, em uma época que este apêndice era um tabu no mercado brasileiro. Carros muito velozes e desejados.

Foi experta em surfar no momento de abertura de mercado, exportando seus carros e, aproveitando os navios vazios na volta para enchê-los de Tipos (o “Tipo Due”): um Tempra sem a mala e recheado de equipamentos almejados pela classe média, com preços muitos competitivos. Chegou a emplacar mais que o até então imbatível VW Gol, em janeiro de 1995. Um sucesso meteórico, mas que em 96 se desintegrou, por causa dos incêndios no compartimento do motor (e – bobeira da montadora – não assumindo um recall).

Ainda em 96, a consolidação. Lançado o Palio (e família), este foi um sucesso muito grande. Um compacto moderno, bonito, com boas opções de motorização e versões de acabamento. A FIAT brigava de igual com as outras !

E o câmbio deixou de ser um ponto negativo...ufa.

A Montadora de Turim estava bem no Brasil. Ela continuava a enxergar necessidades e criar tendências. A Palio Weekend Adventure 1999 (uma SW levantada e cheia de acessórios) foi uma destas sacadas impressionantes. Todo mundo teve que correr atrás depois para lançar seus carros “aventureiros” por aqui.

E quando a concorrência lançou suas versões, a FIAT levantou ainda a mais a suspensão da Adventure (a Locker). Saiu de novo na frente...

Suas picapes derivadas de carros pequenos nadam há anos de braçada no mercado. São desejados por CNPJs e PFs; ”pau para toda obra” ou descoladinhos; dependendo da versão.

Hoje, a FIAT ri à toa, por exemplo, com o número de vendas de seus carros fabricados em Goiana (Toro, Compass e Renegade), que são cobiçados e – melhor - dão excelente margem de lucro...aliás, isso mostra à Ford que investir em bons produtos aqui tem retorno...

Talvez não seja considerada a melhor do país (A Hyundai, por exemplo, conquistou status muito mais rapidamente). Mas a Fabbrica Italiana Automobili Torino, tijolo a tijolo se colocou em um lugar bem sólido no mercado automotivo brasileiro.


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Marcelo Altomare

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